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Réquiem ao finado

  • Marcos Nicolini
  • Aug 24, 2022
  • 1 min read

Choro a morte do último santo

Aquele que bateu no peito e chorou

Chorou a si mesmo

Chorou não se ver no espelho

Chorou sozinho, sem companheiro

Chorou em silêncio esquizofrênico


Eu choro a morte do santo

De qualquer um, este que falta


Conheço gente inteligente

Ouço devoradores de livros

Quem dá palestras

Pregadores

Frequentadores de Podcasts

Organizadores de redes sociais

Espetaculares cosmólogos


Santo, mas santo mesmo

Que chora e bate no peito

Lamenta sua falta

Não aponta o dedo e diz da diabrura do outro

Festeja sua carência

Anuncia sua dependência

Do Outro


Este, que nunca foi, santo se politizou

Comprou uma Porshe

Defende ortodoxia

Reza em latim

Circunscreve hermenêuticas niilistas


Não sei nem onde chorar tua desaparição

Santo

Pois foste sem anunciar no Twiter

Nem filmar um TikTok

Endereçar no Google

Escandalizar no Instagram

Tecer uma rede no Facebook

Simplesmente foste como quem nunca por aqui esteve


Choro a morte de um suspiro




 
 
 

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