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Revolução dos desejos mórbidos

  • Marcos Nicolini
  • Oct 10, 2022
  • 1 min read

Prefiro andar só do que entre piratas.

Prefiro meus olhos cansados do que um olho só.

Prefiro me perder entre uma margem e outra, entre o céu e o abismo, do que navegar certamente para o Oeste, ou o Leste, apenas, guiado por uma bússula zarolha.

Prefiro a minha agonia de não saber ao certo o que é certo, do que a falsa mania de estar certo da certeza.

Prefiro ouvir quem comigo discorda e discordando de minha preferência acenar com um talvez em alguma coisa este tenha razão, do que render-me incontinente a qualquer voz.

Prefiro rir de quem grita "Ciência!", "Ciência!", mas faz prevalecer a ideologia túmulo dos fatos.

Prefiro não ter discípulos do que conduzir cegos ao precipício.

Prefiro lamentar minha humanidade vil do que escrever um réquiem ao fim do humano.

Meus dias se esgotam e logo nem mesmo serei saudade, mas prefiro isto a constar nos livros de História como herói do fim do mundo.

 
 
 

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