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Jesus pregou o Reino e nós engendramos o Império

  • Marcos Nicolini
  • Sep 18, 2022
  • 2 min read

Lá traz alguém ousou dizer: “Jesus pregou o reino, mas o que veio foi a Igreja.


Fórmula anacrônica e que nos serve de um cínico pensamento, o qual nos chama a uma contestação posterior.

Ao se dar crédito a esta fórmula vulgar se passou a pregar contra a Igreja, pois ela estaria engendrada com a Religião. O que é isto, a Religião? Fórmula vazia e anacrônica!


Religião passa a ser sinônimo de Mito, Rito, Sacerdócio, Templo, Dogmas, Moral, etc.

Em nome de quem ou de que se lançam impropérios contra a Religião? Usa-se o nome de Jesus, fazendo menção às suas palavras.


Quais palavras? Aquelas contidas na Texto Sagrado, na Bíblia. Mas não seria a Bíblia entendida como Sagrada um Mito? E suas palavras expressas contra a Religião como Dogmas? Quem senão os Sacerdotes estariam tomando tais referências?


Não seria, então a Religião contra a Religião: religiofagia, a cobra engolindo o rabo? Não seria um grupo Sacerdotal tomando parcelas de um Mito e Dogmatizando-o a fim de impor uma outra Moral, costumes? Impondo seu mundo, aquele cujo jozigo está em continuo atormentado pelo mal.


Mas se religião pode ser pensada como um dispositivo humano que engendra Mito, Rito, Sacerdócio, Lugar Sagrado, Valores Sociais e Fundamentos Metafísicos, deveríamos ter a coragem de dizer:


“Jesus anunciou um reino-eclesiástico contudo o que se tornou aparente foi um Império-Clerical.”


Esta fórmula hilemórfica, na qual se embrenham transcendência é imanência, espiritualidade e corpo, indissoluvelmente, questionaria a modelagem abstração-materialidade, que em seu afã de dar conta do incomensurável se faz refem de sua dogmática.


Falar contra a Religião, do modo vulgar e anacrônico como temos ouvido apenas nos coloca novamente no interior da aparência obliterando o esforço contínuo de um reino que se faz na horizontalidade de relações humanas limitadas e falíveis.


O reino é esta dimensão de justiça, solidariedade, paz, amor, graça, acolhimento, eticidade, suporte, vó-presença, etc. no qual se tem fé messiânica, se espera e se vive precariamente e de modo incompleto.


A ecclésia é o encontro dos que carregam em si esta esperança messiânica, mas, como santos, sabem da impossibilidade de realizarem plenamente a esperança. A ecclésia é a dimensão real, limitada, frágil e falível, de um reino que é de fé messiânica, de espera amorosa.


Toda vez que falamos: aqui está o Cristo, apontando para nós mesmos como Áxis Mundi, ali fundamos um Império Clerical. O Cristo é o que nos acha, nos afeta, nos toca o imaginário e nos dá sentido, contudo, é o que perdemos em continuo sempre que movemo-nos numa prática humana. O Reino Eclesiástico é este ser achado e perder, este momento íntimo, recluso, místico que apenas se faz efetivamente quando a semente se dá à terra e morre.


O Reino Eclesiástico é O-Que-Nomeia, nomeando-se para nós, que será assim para nós o que se mostrar, incontível nem mesmo pelos céus dos céus, mas que afeta, toca, encontrar-nos enquanto solidão em solidariedade. O-Que-Nomeia nos encontra misteriosamente na solidão e nos lança em santidade de corpo-ecclésia.


Nós, peregrinos e forasteiros, viventes na materialidade imanente enquanto sujeitos de um reino messiânico, encontramos moradia e habitação na hospitalidade daquele que nos chama de filhos e nos faz morar na transcendência de sua morada.


O reino trancendente marca a nossa temporalidade na abertura de uma igreja em movimento.

 
 
 

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