Barbárie da maioria poderia ser chamado de civilização?
- Marcos Nicolini
- Oct 12, 2022
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Entre os gregos a αίρεση (heresia) era a designação de um grupo de opinião mais ou menos homogêneo internamente e que diferiria de outros hereges, outros grupos de opinião.

Os primeiros seguidores de Jesus Cristo foram chamados de αίρεση dentre os judeus. Tomando os judeus como o grupo maior, seus subgrupos - fariseus, saduceu, etc e os seguidores de Jesus -, todos estes eram αίρεση.
Foi por volta do século IV para o V d.C. que heresia tomou a conotação de desvio, diante de uma Igreja que se queria Católica, ou, traduzindo, Universal.
Heresia tornou-se uma palavra religiosa que designa quem se desvia da sã doutrina, da ortodoxia, da reta opinião.
O mesmo ocorre com a palavra βάρβαροι, bárbaros. Para os gregos o bárbaro era aquele que não partilhava da paideia, dos valores da vida helênica. Era o estrangeiro, no sentido dos valores culturais.
Foram os modernos que, mimesis do movimento cristão, ressignificaram o conceito de bárbaro, sendo visto como aquele incivilizado, rude, desprovido de valores éticos universais, ou, traduzindo para o latim, católico.
Antes que o clero (adotando o conceito proposto por Benda para clero) pense que estou atuando hereticamente (ou barbaramente, e, assim, estando em desacordo com a ortodoxia dos intelectuais), devo dizer que tomo como referência para falar do bárbaro o texto de Joan Louis Pat, introdução ao livro de Cornelius Castoriadis, Democracia y relativismo. Debate con el Mauss, Pg 22-23.
O que se torna hoje o bárbaro e o civilizado? Haveria fundamentos metafísicos essencialistas que nos pudessem dizer que há um modo, forma, valores, ética, etc. universais que fundassem a civilização? Há a civilização ou apenas as armas, quer sejam baionetas, quer sejam espadas com baionetas?
Maldito homem que sou.


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